Foge Foge Bandido, “O Amor Dá-me Tesão/Não Fui Eu Que Estraguei”

Foram precisos muitos anos para que o tão esperado álbum a solo de Manel Cruz fosse finalmente lançado – 9 anos, se quisermos ser mais precisos. O homem que depois do fim dos Ornatos Violeta, entrou em projectos como os Pluto ou Supernada, edita agora este álbum sob o pseudónimo de Foge Foge Bandido.

Como se a edição de um novo disco de Manel Cruz não fosse já por si só algo suficientemente bom, em “O Amor Dá-me Tesão/Não Fui Eu Que Estraguei” o músico vai ainda mais longe do que se esperava na edição do álbum. Em primeiro lugar, este é um álbum duplo, onde no total existem 80 faixas – um número menor de músicas, já que muitas dessas faixas são interlúdios ou outras divagações. Depois, esta obra não se dá por terminada com as mais de 2 horas de música que nos oferece. Os dois CDs vêm no interior de um livro que tem cerca de 140 páginas recheadas de boas coisas, que para além de completarem de uma excelente maneira as canções que se vão ouvindo, são também um belo presente a todos os fãs do “universo” do Manel Cruz, mas já lá vamos…

Comecemos pela música. Não é propriamente fácil falar de um álbum como este, pois se por um lado é complicado assimilar tanta música em pouco tempo (o álbum tem pouco mais de 15 dias, no momento em que escrevo), por outro lado é também natural que este não seja nada homogéneo em termos musicais, devido ao elevado número de canções presentes.

No Lado A (ou “O Amor Dá-me Tesão”), é com Canal Zero que se ouve o primeiro grande momento deste álbum. A partir daí, esses momentos sucedem-se, exemplo disso são músicas como Borboleta, Ninguém É Quem Queria Ser ou Quando Eu Morrer, mas podia continuar a enumerá-las. Por esta altura, também já é óbvio que as boas letras a que o Manel Cruz já nos habituou estão aqui mais que presentes, como aliás se pode ver neste post, ou ouvir noutras canções, tais como Ainda Pode Descer ou Canção da Canção da Lua.

O Lado B (ou “Não Fui Eu Que Estraguei”) começa com uma música chamada de O Canto dos Homens-Conto, música essa que tem a participação do pai de Manel Cruz e de Carlos Nobre (aka Pacman), entre outras. Aliás, em brincadeira, o “bandido” diz que quem entrou neste disco, foram as pessoas que entraram em sua casa nos últimos anos, tal é o número de participações que se podem encontrar ao longo dos dois CDs. O Lado B continua com um som a fazer lembrar em certas alturas os extintos Ornatos Violeta; já noutras, nota-se um som mais próprio, que resulta sempre muito bem… faz lembrar um Beck à portuguesa. Este lado, tal como o primeiro, também está cheio de bonitas canções – Acorda Mulher, A Lenda da Verdade ou Canção Segredo são disso exemplo.

Também os interlúdios de que falei são em muitos casos bastante interessantes, e raras vezes chatos. Ainda assim, existe um ou outro mais dispensável.

Como disse no início deste texto, não só de música vive “O Amor Dá-me Tesão/Não Fui Eu Que Estraguei”. No livro do qual os dois CDs fazem parte, encontram-se as letras de todas as músicas, cada uma escrita e apresentada de maneira completamente diferente das outras. sendo em alguns dos casos. Para além das letras, estão também presentes os créditos de cada uma das músicas, e até este pormenor que tinha tudo para ser desinteressante, ganha aqui interesse, tal é pormenorização (e não raras vezes, humor) de que são alvo. O livro conta ainda com um sem número de digitalizações de rascunhos/desenhos do Manel Cruz que acabam por mostrar um pouco a história por trás desta obra.

Este é um álbum como se vêem poucos – cheio de originalidade e apresentação de novas ideias e conceitos. Dificilmente não causa estranheza ao ouvinte, tal é a variedade (em todos os aspectos) de sons que por aqui se ouvem, às vezes parece mesmo um manto de retalhos. Mas nota-se que fui tudo levado ao pormenor e que nada foi esquecido – isto tanto do ponto de vista musical, como gráfico (é tudo muito bonito, cheio de detalhe). É sobretudo um disco com boas (ou muito boas, em alguns casos) canções, mas é também interessante a abordagem que teve por parte do músico. Valeu muito a pena a espera. E agora fica outra vez confirmado, que deste homem só se pode esperar o melhor.

FPL 9000
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~ por FPL 9000 em 170608.

5 Respostas to “Foge Foge Bandido, “O Amor Dá-me Tesão/Não Fui Eu Que Estraguei””

  1. É isso mesmo, vale sempre a pena esperar. :) O nº 170 já cá canta. :)
    Se o trabalho fosse só o livro já valeria a pena, então com banda sonora do Manel Cruz…

  2. O meu número é bem superior. :P Obrigado pelo comentário. :)

  3. Brilhante.

  4. excelente o nome do disco !

  5. bebi-o até à última gota…muito interessante.

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