À Margem do Tempo

A 16 de Julho de 1962, Michel Siffre, um geólogo e espeleólogo francês de 23 anos de idade, embarca na sua missão/aventura de passar 2 meses sozinho numa gruta a mais de 100 metros de profundidade. A temperatura na gruta ronda os 0ºC.

Michel Siffre tem dois objectivos principais: obter mais conhecimentos relativos à sua área de estudo e trabalho; e ficar a conhecer e a compreender a reacção do corpo humano depois de um longo período sem qualquer referência temporal (esta última ganha depois uma maior importância).

Tudo foi possível com muito esforço por parte de Siffre, tanto a nível económico como físico e mental. A ajudá-lo esteve uma equipa que o acompanhou desde os longos meses de preparação da missão, até ao fim, onde foram analisados os dados obtidos durante a mesma.

Durante os 2 meses que permaneceu debaixo de terra, o único contacto que Siffre teve com outras pessoas, foi através de um telefone, que usava para comunicar com os outros elementos da equipa que estavam acampados no topo da gruta. Apesar de tudo, só o utilizava para informar o seu estado de saúde e também das horas a que se levantava, comia e deitava. Nunca, de forma alguma, alguém se mostrou surpreendido ao telefone, nem deu a entender o que quer que fosse sobre a altura do dia a que Siffre telefonava (nem em relação aos espaços de tempo entre os telefonemas).

De resto, como seria de esperar, Siffre perdeu rapidamente a noção do tempo. Ao longo dos 2 meses que permaneceu debaixo de terra, explorou algumas vezes a gruta para recolher amostras, mas conforme as semanas iam passando, Siffre acabou por ficar grande parte do seu tempo no saco-cama dentro da sua tenda, devido ao frio insuportável que se tinha apoderado do seu corpo. Teve alguns problemas de memória, e tornou-se bastante desleixado em relação à alimentação e higiene do sítio onde acampou.

Também teve que lidar com pequenos problemas e imprevistos – a tenda inapropriada para um condições tão extremas, por exemplo. Alguns medos também foram crescendo. A total ausência de luz (para além das lanternas), e de som (apesar de ter levado consigo um gira-discos que usou muitas vezes) começaram a torná-lo ansioso e começou a ficar um pouco desesperado em certas ocasiões. A frequente queda de pedras perto da tenda a quebrarem o silêncio de forma repentina não ajudou.

Apesar de tudo, aguentou com a missão até ao fim, concretizando assim todos os seus objectivos. Também recuperou de todos os efeitos negativos que uma experiência deste género acarreta, e mostrou o quão adaptável e forte o corpo humano é.

Para quem se interessa por isto, existe um livro bem interessante (cheio de informação sobre todas as etapas da aventura) e de fácil leitura (nada de muito técnico) que Siffre escreveu. Chama-se “À Margem do Tempo”, mas infelizmente a sua edição já foi descontinuada por cá, pelo que não é fácil encontrar em Português. Em Inglês não sei se ainda terá edição, mas encontra-se mais facilmente na Internet (tem o nome de “Beyond Time”). Também existe pelo menos um documentário sobre Siffre que chegou a passar, penso que no Discovery, e que se deve encontrar algures na Internet.

FPL 9000
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~ por FPL 9000 em 151209.

2 Respostas to “À Margem do Tempo”

  1. bastante interessante. fiquei mesmo curioso em ler o livro. obrigado ;)

    • Gostei bastante por acaso. Ele no livro também fala de um outro francês chamado Alain Bombard, que quis atravessar o Atlântico sozinho num barquinho, para provar que os náufragos só morriam porque “queriam”. Mas sobre este ainda não li muito, mas qualquer dia procuro o livro. :P Em francês chama-se “Naufragé Volontaire”. :P

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