O caos (e a música)

Um pouco estranha a noite de ontem na galeria Zé dos Bois. Nathan Williams (Wavves) estreou-se em Portugal, e para tal, veio acompanhado por um baixista, por um baterista (os 2 assim estilo ogre), e mais importante que isso, por muita droga e álcool. Nada de novo num concerto, se isso não interferisse de forma tão grande na sua actuação.

As conversas entre cada música eram longas, e acima de tudo desnecessárias e sem grande (ou nenhum) sentido. Era só «satan» para aqui e «satan» para lá, uns grunhidos pré-históricos, e até o Morrissey à mistura não percebi bem porquê. Este tipo de atitude por parte de quem se está a iniciar como estrela rock, e leva o lema “sexo, drogas e rock & roll” muito a peito, nem me faz confusão, e admito, gosto até certo ponto – podem surgir daí actuações quase épicas – o que muitos terão achado da noite de ontem, segundo alguns comentários que fui ouvindo. Mas o problema é que o ritmo esteve sempre a ser quebrado – nunca tocaram sequer duas músicas seguidas (nem lá perto estiveram), e isso prejudicou grandemente a actuação – a sensação ao ouvir a última música, foi praticamente a mesma aquando da primeira. E isto era escusado, principalmente numa banda deste género, onde apesar de tudo as músicas tinham muita energia – o mosh e o crowd surfing (aqui, até o Nathan se meteu ao barulho) foram uma constante em todas as músicas.

De qualquer forma, gostei do que ouvi, pena ter sido tão pouco. E pior – pena, por isso se dever provavelmente, a falta de profissionalismo. Depois chegou a So Bored, e com ela uma gigante invasão de palco, com a guitarra e o baixo e desligarem-se, e a bateria a ficar com uma forma algo diferente da que tinha no início do concerto. Não sei se foi um fim prematuro ou se acabou no momento planeado, o que é certo é que um dos concertos mais inesperados a que até hoje assisti acabou aí. Esperava mais.

E fiquei com a sensação que episódios como o do último Primavera Sound, que originou o cancelamento do resto da tour europeia, e consequentemente do concerto que tinham agendado para Portugal,  se vão repetir…

FPL 9000

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~ por FPL 9000 em 201209.

10 Respostas to “O caos (e a música)”

  1. ouvi dois temas e saí. não perdi nada portanto..
    já tinha visto a mesma criancice no Primavera e não tinha vontade de ver novamente.
    …e estava-se mesmo a ver no que aquilo ia dar.

    “cresce e aparece” como alguém por lá disse ontem..

    • Pois, já tinha ouvido uns comentários do género a propósito do Primavera, mas pensei que teria sido uma noite diferente. Pelos vistos pouco mudou.

  2. não percebo o porquê de tanta frustração… tudo bem que podiam ser mais “profissionais” e não se terem desleixado por vezes, mas a multidão em geral alinhou naquelas brincadeiras e era uma boa disposição que se manifestava a tempo inteiro lá no concerto.
    era algo que às vezes falta neste tipo de concertos. ainda por cima, na zdb, acontece com frequência os concertos serem estáticos (sim, muitas bandas que lá vão são adequadas o suficiente para os concertos serem assim, mas também há excepções!).

    • Mas tens que distinguir o público, da banda. O público pode-se divertir à vontade, e não é isso que está em causa (embora pelo que me apercebi, aquele entusiasmo enorme foi só no público da frente). Agora a banda, tem acima de tudo tocar, que é afinal para isso que estão lá. Se querem divertir-se, tudo bem (e já vi óptimos concertos dados por gente que não se encontravam a 100%), mas não podem passar de certos limites. Aquela conversa toda quebrou o ritmo todo, e mais parecia um monte de músicas à sorte com parvoíces pelo meio, do que um concerto propriamente dito.

  3. Ouvi a cena do “satan” para aqui e para ali. Tudo que descreveste chegou-me aos ouvidos no próprio dia por uns amigos que também foram ao concerto. Ainda bem que não fui senão ter-me-ia passado dos carretos. :S

  4. Com o devido respeito, não concordo com nada disto. Esperar isso destes tipos, é não os conhecer e, logo, mais valia não ir lá. O satan que foi sendo grunhido é, simplesmente, humor non sense. espanta-me que os intelectualóides que vão à ZDB, abonados com tanta inteligência, não consigam perceber uma piada básica.

    até ouvi algo como um, “foi uma merda, parecia uma festa do secundário”. Exacto, era uma festa do secundário!! os wavves não são muito mais que isso, e têm piada por isso.

    concertos destes, sem álcool ou droga, são, por regra, maus, porque esta realidade, por muito básica ou infantil ou estúpida que seja, passa exactamente por isso. se o sid vicious não fosse um troglodita era o sid teetotaler e os sex pistols não teriam existido sequer.

    mas é isto que fica retido. já o tony wilson o dizia, e bem.

    por tudo isso, enquadrando os wavves na devida prateleira, na minha opinião, foi um óptimo concerto.

    • Eu também não acho que tenha sido uma merda. Não digo que o álcool, ou mesmo a droga, não façam bem num concerto destes (como eu aliás, até referi). Só me chateou a coisa de eles até terem músicas com grande energia, e depois quebravam o ritmo todo com aquela conversa da treta. Foi isso que critiquei. E claro, tocaram poucas músicas, mas penso que aí todos estamos de acordo.

  5. deixem-nos divertir-se. eu diverti-me bastante, que se foda o profissionalismo (:

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