Milhões de rock

Apesar de só ter ido ao último dia do festival Milhões de Festa, e portanto terem-me escapado alguns aspectos como o campismo ou a alimentação, posso dizer que relativamente ao que assisti, tenho que congratular a organização do festival pelo trabalho que fizeram.

A começar pelo espaço. Bastante grande, com a possibilidade ir a banhos ao rio e à piscina e ainda com os palcos bem localizados. O palco Milhões tinha a plateia inclinada a fazer lembrar Paredes de Coura, o que dava uma boa visibilidade para todos e ainda tornava possível ver os concertos sentado na relva ou mesmo nuns degraus de cimento que por lá havia. O palco Vice, tinha de um lado vista para o rio e do outro uma muralha – resultou num espaço mais intimo e que num festival desta magnitude resultou muito bem. Depois ainda existia o palco da zona da piscina: original, no mínimo.

Também a logística dos concertos me pareceu acertada. Dois palcos com concertos intercalados sem nunca se sobreporem, bem ao estilo do Super Bock Super Rock de há alguns anos atrás. Este esquema permite diminuir o tempo de espera entre os concertos, tendo por isso havido poucos tempos mortos durante todo o dia.

O ambiente geral também foi do melhor que tenho visto. Tudo animado e descontraído; boa parte dos artistas a passear pelo recinto; muito longe de ser uma feira popular; e ainda um público que estava lá pela música, coisa infelizmente muito rara nos dias que correm.

Quanto à música mais a sério neste dia, esta começou no palco Vice com os Riding Pânico. Já há muito que os queria ver ao vivo e isso estava difícil concretizar-se devido à prolongada paragem por que a banda passou. E a vontade de os ver tinha razão de ser: deram um excelente concerto que só pecou por ser curto. Além da formação habitual da banda, ainda passou por lá por exemplo o Hélio Morais para ajudar na percussão, estando nesse momento 8 músicos em palco (não contando com nenhum vocalista), o que tornou o som da banda ainda mais forte. Com gente desta em palco era difícil sair algo de mau dali. Agora é esperar por um concerto em nome próprio.

De seguida tocaram os espanhóis Extraperlo no palco Milhões. Estes fazem uma pop com toques de electrónica que achei muitas vezes desinteressante, embora no final a coisa tenha melhorado consideravelmente e conseguiram animar bastante os poucos (mais de 20?) que estavam em frente ao palco. Para ver à sombra num dia em que as temperaturas não deverão ter andado muito longe dos 40ºC, não soube mal de todo.

Depois o som mudou radicalmente com os Ghost of a Thousand, banda inglesa mais virada para hardcore que tem um vocalista que sabe o que fazer com o seu público, mesmo quando a maioria dos presentes estaria a ter provavelmente um primeiro contacto com a banda. Houve mosh, circle pits e tudo o que se espera num concerto do género. O rock mais pesado (e agora também mais adulto) continuou com os Year Long Disaster no palco principal.

Já o sol começava finalmente a dar descanso a todos os presentes no Milhões de Festa quando no palco Vice o público se encontrou com os enigmáticos Bo Ningen. Quatro japoneses muito magros e com ar andrógino, cabelos compridos e vestidos a condizer. Na voz, alguém que falava um inglês estranho com uma voz muito aguda e onde grande parte do discurso me era imperceptível, tirando uns ‘arigato’ aqui e ali. O som que faziam era um rock psicadélico com algum feedback à mistura, onde se destacou o final do concerto com a banda a dar tudo de si. De volta ao ocidente e a um rock bem mais clássico foi a vez dos veteranos Karma to Burn darem um dos melhores concertos do dia no palco principal – stoner-rock instrumental bem poderoso.

A estranheza voltou ao palco Vice com o israelitas Monotonix – uma espécie de Gogol Bordelo rock mais pesado e sem influências balcãs. Abdicaram do palco, e tocaram em frente a este no chão, provocando um caos meio controlado, com muito crowd surfing e saltos de gente que não parece ter amor à vida por parte do vocalista da banda.

Depois da loucura que foi o concerto dos israelitas, o ambiente mudou totalmente de figura com a chegada do muito esperado Toro y Moi. Resumidamente pode-se dizer que ao vivo a coisa é bem menos “chill” do que se ouve em “Causers of This”. A razão poderá ser Chad ter tocado com uma banda (composta por um baterista e um baixista) cujos instrumentos tiveram demasiado destaque no som, pois acabaram por comprometer o que de mais interessante tem a sua música. Apesar de tudo houve belos momentos e o espírito da coisa não se perdeu totalmente – e embora não estivesse propriamente uma multidão para o ver, houve direito a encore e tudo (que segundo ouvi, foi o primeiro de todo o festival).

Depois ainda tocaram os espanhóis Delorean que com muita pena minha não pude ver. Mas porem-nos a tocar perto das 2 da manhã de um Domingo, torna complicada a vida de quem no dia seguinte tem que acordar cedo…

Esperemos agora que o festival nestes moldes tenha sido recompensador para a organização – porque o merecem e para que para o ano haja mais Milhões de Festa.

FPL 9000
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~ por FPL 9000 em 270710.

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