Finalmente tive oportunidade para ver e ouvir “ODDSAC”, o álbum visual que os Animal Collective apresentaram este ano em diversas cidades por esse mundo fora, e que foi posteriormente editado em DVD. Em primeiro lugar, convém referir que “ODDSAC” não se trata de um filme no seu sentido mais tradicional – aparentemente, nem sequer existe uma linha narrativa. É apenas mais um álbum dos Animal Collective, mas que desta vez tem também uma componente visual associada (sendo esta dirigida por Danny Perez). Pelo menos foi esta a forma como eu o interpretei.

Visualmente, “ODDSAC” é uma mistura de imagens reais (por vezes bastante manipuladas) e de efeitos digitais. Estas são geralmente em tons escuros, e elementos como o fogo, os monstros, as crianças, a floresta e as consistências viscosas são bastante comuns. Aliás, um universo que já não propriamente novo nos Animal Collective para quem conhece os seus vídeos e fotos promocionais.
Já musicalmente pode-se dizer que as canções que o compõem se dividem em duas categorias distintas: a das canções que têm uma estrutura mais tradicional/pop; e a das outras, que não têm propriamente uma estrutura definida, e são antes um conjunto de efeitos sonoros e experiências do colectivo. Dentro da primeira categoria encontram-se algumas grandes canções ao nível do que os Animal Collective já nos têm habituado. Apesar de tudo, não pegam no que “Merriweather Post Pavilion” nos deixou, mas voltam atrás a uma sonoridade mais próxima de “Sung Tongs” – mas num percurso tão pouco previsível como tem sido o destes norte-americanos, também podem perfeitamente estar aqui pistas para o seu futuro. Como estas canções não irão ser editadas em CD, muitas vão ser infeliz e provavelmente esquecidas (embora, de forma ilegal estas se encontrem facilmente num qualquer formato áudio). Quanto às canções da segunda categoria, ao contrário das da primeira, não resultam bem sem a sua componente visual – só a imagem lhes dá algum sentido (claro que aqui nem todos concordarão comigo). Mas é também aqui que está o que de bom “ODDSAC” tem e o que lhe dá razão de ser: a forte ligação que existe entre o que se vê e o que se ouve. Tal, fica provado nestes casos, em que uma das componentes não resulta bem sozinha, mas em conjunto o resultado é satisfatório.
No global, ‘sufocante’ e ‘psicadélico’ são duas palavras que assentam bastante bem em grande parte dos 52 minutos com que se constrói “ODDSAC”.
Apesar do carácter experimental e algo surreal deste trabalho dos Animal Collective, “ODDSAC” nunca se torna chato ou penoso de se ver/ouvir. Sem querer entrar em comparações descabidas, é um pouco como acontece em “2001: Odisseia no Espaço”, onde os planos lentos funcionam tão bem em conjunto com a banda-sonora, que nunca se torna aborrecido o seu visionamento, mesmo nas alturas em que a narrativa não tem desenvolvimentos de muito relevo.
As expectativas não eram muito elevadas, mas acabei por gostar muito do resultado final. Surpreendeu-me.
FPL 9000
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